Como Ensinar Ecologia Bucal, Usando a Abordagem da Complexidade?

A Ecologia Bucal é um ramo que emergiu recentemente da pesquisa que estuda o mundo bucal – o ‘mundo da boca humana’. Quando nós aplicamos a abordagem da Complexidade no ensino da Ecologia Bucal, buscamos estudar o ‘mundo bucal’ em relação com o mundo do organismo na sua plenitude, que existe numa unicidade inquebrantável com o ambiente social e natural no qual vivemos. Essa é a nossa razão para sugerirmos uma Ecologia Bucal, cuja essência está na abordagem da Educação Dentária.

A boca é ‘a casa’ das dinâmicas bucais e a Ecologia Bucal foca-se nessas dinâmicas. A Teoria da Complexidade explica que as dinâmicas bucais não podem ser entendidas apenas mantendo-as trancadas na boca. Através do prisma da Complexidade, os processos dinâmicos na boca humana são vistos como aninhados em processos dinâmicos do corpo do indivíduo, aninhados em dinâmicas sociais, que são aninhadas em dinâmicas da natureza e nas dinâmicas planetárias e universais (Bak, 1996; Gleick, 1987). Logo, a primeira coisa que precisa ser enfatizada quando ensinamos a Ecologia Bucal, usando a abordagem da Ciência da Complexidade, é sua conexão inseparável com a Ecologia Humana – um estudo dos interrelacionamentos que sempre estão em mudança contínua, evoluindo e se transformando e interações que operam em diferentes âmbitos da natureza humana – físico, emocional, mental, espiritual, social, ambiental, universal. A Ecologia Humana está organicamente inserida na ecologia da sociedade (Ecologia Social) (Dimi­trov, 2003) e na ecologia da natureza e do Planeta (Ecologia Ambiental) (Sole e Goodwin, 2000; Bak, 1996). Isso implica que o entendimento da Ecologia Bucal é impossível sem o desenvolvimento do entendimento das essencialidades das ecologias humanas, sociais e ambientais. Essa é uma consequência direta da aplicação da abordagem da Complexidade. Nunca se pode entender a natureza de uma entidade dinâmica complexa quando se está estudando-a isoladamente das entidades com as quais ela se relaciona – das quais depende, sobre as quais exerce influência, e com as quais coevolui.

Se focarmos no micro-mundo da boca humana, podemos observar mais de 400 espécies distintas de microorganismos, principalmente bactérias. Além disso, investigações recentes documentaram que um número de espécies não cultiváveis pode ser adicionado, interferindo na harmonia entre a saúde bucal e a doença (Aaas, 2006). Bilhões de bactérias que interagem vivem na superfície de cada dente, nos sulcos da língua, na parte interna das bochechas, nas mucosas e no palato. Nesse ambiente úmido, a saliva participa tanto de loops de feedback positivo quanto negativo em relação às dinâmicas giratórias das bactérias. As proteínas que a saliva contém têm impacto positivo no crescimento de bactérias, pois lhes fornecem nutrientes, enquanto que agentes antibacterianos, na saliva (lisossomos, imunoglobulinas, antifungos e componentes antivirais), têm impactos negativos que impedem o seu crescimento. A saliva também contém substâncias neutralizantes de acidez. Íons de bicarbonato, na saliva, neutralizam os ácidos geradores de cáries produzidos por uma variedade de bactérias acidogênicas e os íons de fosfato e de cálcio, na saliva, atuam tanto como agentes neutralizadores quanto como agentes remineralizadores que reparam microscópicas áreas iniciais desmineralizadas.

A (Des)construção do Conhecimento Pedagógico – Novas Perspectivas para a Educação

Blur (Resumo do Livro)